A precoce eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, neste domingo (5), sacramentou o fim de uma era e empurrou a Seleção Brasileira para o seu maior jejum histórico de títulos mundiais.
Com a queda precoce em solo norte-americano, o país completará 28 anos sem erguer a taça mais cobiçada do futebol, igualando o período que separou o primeiro Mundial disputado, em 1930, do título inédito em 1958.
O Peso do Jejum Histórico
O atual hiato de conquistas consegue ser ainda mais doloroso do que os anteriores. Diferente do intervalo entre 1930 e 1958, quando foram disputadas apenas cinco edições por conta da Segunda Guerra Mundial, a atual entressafra já acumula seis Copas do Mundo consecutivas de frustrações. O período supera também os 24 anos que a Seleção levou para alcançar o tetracampeonato em 1994, após o tri de 1970.
Linha do Tempo das Frustrações
Desde a conquista do pentacampeonato em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, a Seleção Brasileira acumulou quedas marcadas por soberba, desorganização tática e derrotas para equipes sem tradição de títulos mundiais:
2006 (Quartas): Eliminação para a França (1x0) com uma seleção estrelada, mas cercada de soberba.
2010 (Quartas): Queda de virada para a Holanda (2x1) em meio a uma entressafra técnica.
2014 (Semis): O histórico e humilhante vexame do 7x1 contra a Alemanha, em pleno Mineirão.
2018 (Quartas): Desclassificação para a Bélgica (2x1) na Rússia.
2022 (Quartas): Eliminação nos pênaltis para a Croácia (1x1 / 4x2), após ceder o empate na prorrogação.
2026 (Oitavas): O ponto final da geração, caindo diante da Noruega (2x1) logo no primeiro mata-mata.
Instabilidade no Comando Técnico
A falta de um projeto de longo prazo também se refletiu no banco de reservas. Nas últimas duas décadas, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) promoveu uma verdadeira dança das cadeiras, com nove treinadores passando pelo comando da equipe principal entre 2003 e 2026.
Das seis Copas do Mundo disputadas neste jejum, apenas o técnico Tite conseguiu a estabilidade necessária para dirigir o Brasil em duas edições consecutivas do torneio (2018 e 2022).
Os demais períodos foram marcados por trocas constantes e soluções interinas, culminando na atual campanha que encerra de forma melancólica a trajetória de Neymar e seus companheiros com a camisa amarelinha.